O CONCÍLIO DE ÉFESO (431) CONCLUIU:
"MARIA É VERDADEIRAMENTE MÃE DE DEUS"

31/12/19

 

 

Como Maria pode ser a mãe de Deus, se Deus já existia antes que ela tivesse nascido?
No dicionário encontramos que “mãe” é a mulher que gera. Diz-se que é Mãe aquela que gerou. Se aceitamos que Maria é mãe de Jesus e que Ele é Deus, então Maria é “Mãe de Deus”.
Não se deve confundir entre o tempo e a eternidade de Maria, obviamente, não foi mãe do Filho eternamente. Ela começa a ser Mãe de Deus quando o Filho Eterno quis entrar no tempo e fazer-se homem como nós. Para fazer-se homem quis ter mãe.
Gálatas 4.4 “Ao chegar a plenitude dos tempos, enviou Deus seu Filho nascido de mulher”. Deus se fez homem sem deixar de ser Deus, por isso Maria é mãe de Jesus, Deus e verdadeiro homem.
Então, Maria é Mãe de Deus, não porque o tenha gerado na eternidade, mas sim porque o gerou faz 2000 anos na Encarnação. Deus não necessitava de uma mãe, porém, quis ter para aproximar-se de nós com infinito amor. Deus é o único que pôde escolher sua mãe e, para consternação de alguns e alegria de outros, escolheu a Santíssima Virgem Maria que é e sempre será a Mãe de Deus.
Quando a Virgem Maria visitou sua prima Isabel, esta, movida pelo Espírito Santo a chamou de “Mãe do meu Senhor”. O Senhor a quem se refere não pode ser outro senão Deus (Cf. Lc 1,39-45).
A verdade que Maria é Mãe de Deus é parte da fé de todos os cristãos, ortodoxos (de doutrina reta). Foi proclamada dogmaticamente no Concílio de Éfeso no ano de  431 e é o primeiro dogma Mariano.
Antecedente da controvérsia sobre a maternidade divina de Maria Santíssima
Os erros de Nestorio, nos século V. Nestorio, Patriarca de Constantinopla, afirmava os seguinte erros:
Que existe duas pessoas distintas em Jesus, uma divina e outra humana.
Suas duas naturezas não estavam unidas.
Portanto, Maria não é a Mãe de Deus, pois, é somente a Mãe de Jesus homem. Jesus nasceu de Maria só como homem e mais tarde “assumiu” a divindade e por isso, dizemos que Jesus é Deus.
Vemos nestes erros de Nestorio, ao negar que Maria é Mãe de Deus, nega também que Jesus fosse uma pessoa divina.
A doutrina referente a Maria está totalmente ligada a doutrina referente a Cristo. Confundir uma é confundir a outra. Quando a Igreja defende a maternidade divina de Maria está defendendo a verdade de que, seu filho, Jesus Cristo é uma pessoa divina.
Nesta batalha doutrinal, São Cirilo, Bispo de Alexandria, assumiu um papel muito importante para clarear a posição de nossa fé contra a heresia de Nestorio. No ano 430, o Papa Celestino I em um concílio em Roma, condenou a doutrina de Nestorio e comissionou São Cirilo para que iniciasse uma série de correspondências onde se apresentasse a verdade.
Concílio de Éfeso
No ano de 431, se levou a cabo o Concílio de Éfeso onde se proclamou oficialmente que Maria é Mãe de Deus.
“Desde o início a Igreja ensina que em Cristo existe uma só pessoa, a segunda pessoa é a Santíssima Trindade. Maria não é só mãe da natureza, do corpo, mas também da pessoa que é Deus desde toda a eternidade. Quando Maria deu a luz a Jesus, deu a luz no tempo a quem desde toda eternidade era Deus. Assim como toda mãe humana, não é somente mãe do corpo humano, mas sim, da pessoa, assim Maria deu a luz a uma pessoa, Jesus Cristo, que é Deus e homem, então, ela é a Mãe de Deus – Concílio de Éfeso.
A ortodoxia (doutrina reta) ensina:
Jesus é uma pessoa divina (não duas pessoas).
Jesus tem duas naturezas: é Deus e Homem verdadeiramente.
Maria é mãe de uma pessoa divina e portanto é Mãe de Deus.
Maria é Mãe de Deus. Este é o principal de todos os dogmas Marianos, e a raiz e fundamento da dignidade singularíssima da Virgem Maria.
Maria é Mãe de Deus, não desde toda eternidade, mas sim, no tempo.
O dogma de Maria Mãe de Deus contém duas verdades:
Maria é verdadeiramente mãe: Isto significa que ela contribuiu em tudo na formação da natureza humana de Cristo, como toda mãe contribui na formação do filho de suas entranhas.
Maria é verdadeiramente mãe de Deus: Ela concebeu e deu a luz a segunda pessoa da Trindade, segundo a natureza humana que Ele assumiu.
A origem Divina de Cristo não é proveniente de Maria. Porém ao ser Cristo uma pessoa de natureza divina e humana, Maria é tanto mãe do homem como Mãe de Deus. Maria é Mãe de Deus, porque é Mãe de Cristo que é homem e Deus.
A missão maternal de Maria é mencionada desde os primeiros credos da Igreja. No credo dos Apóstolos: “Creio em Deus Pai todo poderoso e em Jesus Cristo seu único filho, nosso Senhor que nasceu da Virgem Maria”.
O título de Mãe de Deus era utilizado desde as primeiras orações cristãs. No Concílio de Éfeso, canonizou-se o título Theotokos, que significa Mãe de Deus. A partir desse momento a divina maternidade constituiu um título único de senhorio e glória para a Mãe de Deus encarnado. A Theotokos é considerada, representada e invocada como rainha e senhora por ser Mãe do Rei e do Senhor.
Mais tarde também foi proclamada e aprofundada por outros concílios universais, como o de Calcedonia (451) e o segundo de Constantinopla (553).
No século XIV se introduz na Ave Maria a segunda parte onde diz: “Santa Maria Mãe de Deus” e no século XVIII, estendeu-se sua reza por toda a Igreja.
O Papa Pio XI reafirmou o dogma na Encíclica Lux Veritatis (1931)
A Mãe de Deus no Vaticano II: este concílio reformula em tudo o alcance de sua riqueza teológica no mais importante de seus documentos, Constituição dogmática sobre a Igreja, (Lumen Gentium). Nesse documento se vê a maternidade divina de Maria em dois aspectos:
1.-A maternidade divina no mistério de Cristo.
2.-A maternidade divina no mistério da Igreja.
“E certamente, desde os tempos mais antigos que a Santa Virgem é venerada com o título de Mãe de Deus, a cujo amparo os fiéis suplicantes se amparam em todos os perigos e necessidades... E as diversas formas de piedade para a Mãe de Deus, que a Igreja vem aprovando, dentro dos limites da santa doutrina, fazem que, ao ser honrada a Mãe, o Filho por razão da qual são todas as coisas, seja melhor conhecido, amado, glorificado, e que, por sua vez, sejam melhor cumpridos seus mandamentos” (LG #66)
No Credo do Povo de Deus de Paulo VI (1968): “Cremos que a Bem Aventurada Maria, que permaneceu sempre Virgem, foi a Mãe do Verbo encarnado, Deus e nosso Salvador”.
Em 1984 João Paulo II consagra no mundo inteiro a I.C. de Maria, através de toda oração de consagração repete: “Recorremos a tua proteção, Santa Mãe de Deus”.
Maria por ser Mãe de Deus transcende em dignidade a todas as criaturas, homens e anjos, já que a dignidade da criatura está em sua proximidade com Deus. E Maria é a mais próxima da Trindade. Mãe do Filho, Filha do Pai e Esposa do Espírito.
“O Conhecimento da verdadeira doutrina católica sobre Maria será sempre a chave exata da compreensão do mistério de Cristo e da Igreja”.
“E a Mãe de Deus é minha, porque Cristo é meu” (São João da Cruz).

 

FONTE: CATHOLIC..NET - CORAZONES.ORG
Tradução: 3,1416